Amazonas no centro do mundo: pedagogo manauara participa de Assembleia da Juventude alinhada à Agenda 2030 da ONU



O Amazonas terá voz em um dos principais encontros globais de formação de lideranças jovens. O pedagogo e empresário amazonense Jhony Abreu, ex-presidente e voluntário do Comitê AFS Manaus, foi confirmado pela AFS Internacional para representar a organização na 31ª Assembleia da Juventude da AFS, que acontece de 12 a 14 de agosto, em Genebra, na Suíça. O tema deste ano, "Rise. Reimagine. Rebuild: A World for All" ("Levantar. Reinventar. Reconstruir: Um Mundo para Todos"), convoca jovens de todo o planeta a repensar caminhos mais inclusivos de desenvolvimento.


Criada em 2004 e ligada à AFS Intercultural Programs, a Assembleia mantém forte diálogo com o sistema das Nações Unidas e é hoje uma das principais plataformas de formação de jovens lideranças do mundo. A edição de 2026 deve reunir mais de 700 delegados de cerca de 100 países, com programação ao lado de especialistas da ONU, organizações não governamentais e inovadores sociais, incluindo a celebração do Dia Internacional da Juventude, em 12 de agosto.


Para Abreu, a vaga tem um significado que ultrapassa a trajetória individual. "A vaga não caiu no meu colo: o Comitê AFS Manaus foi confirmado pela AFS Internacional e conquistou o assento para a 31ª Assembleia da Juventude", afirma. "Eu vou como representante desse trabalho, não como mérito individual", diz.


Um processo seletivo que exige impacto real


A participação na Assembleia não se dá por simples inscrição. Segundo Abreu, o processo contempla jovens líderes de 18 a 35 anos e passa por análise de trajetória e carta de motivação, com critérios que vão além do currículo: impacto comprovado na comunidade de origem, compromisso com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, além de capacidade de liderança e articulação entre diferentes setores.


No caso do amazonense, o caminho teve uma camada institucional adicional: a confirmação veio por meio do próprio Comitê Manaus, validado pela AFS Internacional antes de qualquer indicação de nome. Abreu credita sua indicação a três fatores: os anos de voluntariado contínuo na AFS, hoje à frente da presidência do comitê local; a atuação que une educação e empreendedorismo de impacto, entre coordenação pedagógica, docência em pós-graduação e a liderança da EduMaker Brasil e do IDESCA; e a própria origem amazônica, que ele descreve não como detalhe biográfico, mas como conteúdo.


Representatividade amazônica


O Brasil costuma levar delegações fortes à Assembleia, reflexo de uma rede AFS ativa no país. Mas a presença histórica nesses espaços internacionais tende a se concentrar nas regiões Sul e Sudeste. É nesse contexto que a confirmação do Comitê Manaus pela AFS Internacional ganha peso simbólico: não se trata de uma vaga de cota, mas do reconhecimento de um comitê amazonense por mérito próprio."Cada vez que isso acontece, a Amazônia deixa de ser tema de painel e passa a ser voz na sala", resume Abreu, que garante não pretender apresentar a floresta como paisagem em Genebra, mas como território de gente, escola, inovação e economia.


O papel de Leader Coach: liderar é sustentar a experiência do outro


Em Genebra, Abreu atuará como Leader Coach, função de voluntário sênior que sustenta a experiência dos jovens delegados ao longo do evento. Diferente de palestrantes ou convidados de painel, o Leader Coach é quem garante que a Assembleia aconteça nos bastidores: acompanha grupos de delegados, orienta, media conflitos e cuida para que ninguém se perca no processo.


Sua atuação específica será na área de logística: recepção e credenciamento, deslocamento entre espaços, organização de sessões, apoio às delegações e gestão de imprevistos, para um público de centenas de jovens vindos de cerca de cem países, ao longo de três dias intensos. "É o trabalho que ninguém vê quando dá certo e todo mundo sente quando dá errado", diz.


Para o amazonense, a função reflete uma concepção de liderança que ele já pratica em Manaus. "Existe uma ideia equivocada de que liderar é ocupar o microfone. Liderar, na maior parte do tempo, é servir: é garantir que o outro tenha condição de brilhar", afirma. "É a mesma lógica que aplico formando voluntários aqui em Manaus: você não escala estrutura, você escala pessoas", avalia Abreu.


Da Assembleia para o Amazonas: educação, bioeconomia e cultura maker


A conexão entre o tema global do evento e o trabalho de Abreu no Amazonas é, segundo ele, quase literal. Uma das trilhas da programação, "Rethinking Education: Youth Innovation for Future-Ready Skills", discute como aproximar a escola do fazer, do empreendedorismo e do uso de inteligência artificial para fins sociais, pauta que ele já desenvolve à frente da EduMaker Brasil.


Na prática, a iniciativa leva robótica educacional e cultura maker para as mãos de estudantes amazonenses, não como consumidores de tecnologia, mas como autores de soluções. Quando um estudante desenvolve um projeto voltado ao rio, ao resíduo do próprio bairro ou às cadeias produtivas do açaí e da castanha, a bioeconomia deixa de ser conceito de seminário para se tornar currículo.


"É isso que eu levo para Genebra, com o aval do Comitê Manaus nas costas: a Amazônia não precisa ser reconstruída por ninguém. Ela precisa ser ouvida, e a juventude daqui já sabe o que fazer com o próprio território", conclui Abreu.

Fonte: com informações da assessoria de imprensa