A Galeria do Largo recebe a exposição Yúpury: Infância Tukano, que reúne 10 pinturas em acrílico do artista visual Yúpury, representado pela Manaus Amazônia Galeria de Arte. A exposição convida o público a percorrer memórias de infância construídas entre a convivência familiar, as paisagens amazônicas e as práticas da vivência indígena.
As obras foram desenvolvidas a partir das recordações de uma viagem realizada pelo artista aos 7 anos de idade à região do Balaio, em São Gabriel da Cachoeira, berço do clã Yepá Mahsã, do povo Tukano. Filho de mãe Tukano, Yúpury encontrou nessa experiência um vínculo profundo com sua ancestralidade e cosmovisão, elementos que permanecem presentes em sua produção artística.
Segundo o texto curatorial, a exposição é resultado do desejo do artista de compartilhar visualmente essas lembranças e construir uma narrativa sobre sua trajetória. Com pinceladas fortes, intensas e rápidas, Yúpury apresenta um conjunto de obras que transformam experiências pessoais em registros de memória afetiva.
“Retrato a minha infância Tukano, que é a caça, a pesca e as atividades dos indígenas lá no mato. Espero vocês durante esses três meses de exposição para conhecer um pouco dessa rotina Tukano”, afirma o artista.
Nas telas, o público encontra paisagens amazônicas, cenas de convivência familiar, atividades de pesca, deslocamentos pelos rios, brincadeiras e práticas tradicionais vividas durante a infância do artista. As obras transformam em imagens as histórias, os costumes, os artefatos e as experiências guardadas em sua memória, revelando aspectos do cotidiano e da cultura dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
A exposição foi desenvolvida com curadoria do diretor da Galeria do Largo, Cristóvão Coutinho, em parceria com Carlysson Sena, diretor da Manaus Amazônia Galeria de Arte. Segundo Coutinho, a exposição cria um espaço de encontro entre o público e as narrativas indígenas presentes na obra de Yúpury. “E a presença do Yúpury aqui no espaço é importante, porque é uma produção de um artista indígena. Nesse momento ele está na galeria, eu acho que completa esse vínculo que todos nós temos que ter com a ancestralidade, com a região amazônica”, afirma.
Para Carlysson Sena,diretor da Manaus Amazônia Galeria de Arte, a exposição oferece ao público a oportunidade de conhecer não apenas a produção artística de Yúpury, mas também as memórias e experiências que moldam sua identidade como artista e indígena. “Nesta exposição, Yúpury assume o papel de um repórter da própria memória afetiva. Em suas telas, ele não está apenas transformando lembranças em arte, mas também mostrando a sua alma”, afirma.
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