Bioeconomia ganha força no Brasil e pode triplicar riqueza gerada na Amazônia até 2050



Comemorado nesta sexta-feira, (5), o Dia Mundial do Meio Ambiente celebra também o segundo aniversário de criação da Estratégia Nacional de Bioeconomia do governo federal, instituída pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) através do Decreto nº 12.044, de 5 de junho de 2024, sinalizando de forma efetiva a importância da elaboração de projetos que transformem biodiversidade em preservação ambiental, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico sustentável.


A data, criada pela ONU em 1972, reúne anualmente governos, empresas, pesquisadores e sociedade civil em torno de um tema central: como equilibrar crescimento e preservação do planeta. Em 2026, o Brasil chega a este debate com números que reforçam o potencial de um novo modelo produtivo.


Dados do WRI Brasil, organização global de pesquisa voltada à proteção da natureza e estabilização do clima, mostram que a bioeconomia já gera um PIB de R$ 12 bilhões somente na Amazônia Legal. Com investimentos adicionais, a estimativa é que esse valor chegue a R$ 38,6 bilhões em 2050, gerando mais de 800 mil novos empregos e substituindo atividades historicamente associadas ao desmatamento.


Quem já colocou essa lógica em prática é a jornalista e empresária Pamela Mota Oliveira. Atuante nos segmentos de comunicação, eventos e bioeconomia na Amazônia, ela, ao lado do marido Orsine Júnior, fundou em 2025 a Made In Amazon, e-commerce criado para dar visibilidade a produtos sustentáveis e autênticos feitos por produtores da floresta e que conecta estratégia, posicionamento e desenvolvimento sustentável com a identidade amazônica. “Vendemos a arte que emana da floresta, traduzida pelas mãos daqueles que sabem muito sobre ancestralidade, identidade e regionalismo. Queremos sempre contar a história desses produtos, porque o que vale mesmo é saber a origem, o insumo e como ela é feita”, afirma Pamela.


Para a empresária, o Dia Mundial do Meio Ambiente precisa ir além dos discursos e das metas climáticas de cúpula. A transformação, segundo ela, passa por reconhecer a floresta como um ativo econômico real e os povos que nela vivem como produtores de valor. “Precisamos ser vistos como produtores de valores. Aqui incluo valores reais em preservação da floresta através do reaproveitamento de insumos como subsistência e o reconhecimento da floresta em pé como um ativo econômico. Mas a maior transformação vai ser quando o mundo perceber que o maior produto da Amazônia não é a matéria-prima, mas o valor que nasce do conhecimento de quem vive na floresta”, conclui.


Educação como base da sustentabilidade


Se a bioeconomia aponta o caminho econômico, a educação é o alicerce que sustenta qualquer transformação de longo prazo. É o que defende o Prof. Jhony Abreu, pedagogo, especialista em inovação e tecnologias educacionais, empresário da educação e fundador da startup de robótica educacional Edumaker Brasil. “Em um mundo cada vez mais impactado pelas mudanças climáticas e pelos desafios ambientais, falar sobre sustentabilidade deixou de ser uma opção. Tornou-se uma necessidade. Mas acredito que a verdadeira transformação não começa apenas nas grandes decisões governamentais ou nos avanços tecnológicos. Ela começa na educação”, afirma.


O educador observa uma mudança geracional na forma como os jovens encaram o mundo: “Os estudantes já não querem apenas aprender conceitos; eles desejam compreender problemas reais e participar da construção de soluções. É justamente nesse contexto que a cultura maker ganha força”, avalia Abreu.


Para Jhony Abreu, a reflexão mais importante desta data é sobre quem vai construir, de fato, o futuro sustentável. “O futuro sustentável que desejamos não será construído apenas por máquinas, pesquisas ou políticas públicas. Ele será construído, principalmente, pelas pessoas que estamos formando hoje dentro das nossas escolas. E talvez não exista investimento mais importante para o planeta do que educar uma geração capaz de inovar sem esquecer de preservar”, analisa.

Fonte: com informações da assessoria de imprensa