Voltar também é um ato político. É nesse movimento de reencontro com suas origens que o artista amazonense Klindson Cruz retorna a Manaus com o espetáculo “Manifesto”, uma obra que atravessa corpo, território e memória para falar sobre o presente e o futuro da Amazônia.
Após um período atuando em outros estados, Klindson volta à sua terra natal trazendo na bagagem uma pesquisa cênica amadurecida, construída entre o circo contemporâneo, a dança e a performance.
Um retorno que carrega trajetória e pertencimento
Natural de Manaus, Klindson Cruz construiu sua caminhada artística entre projetos independentes, periferias e comunidades ribeirinhas do Amazonas.
Nos últimos anos, esteve radicado em Porto Velho (RO), onde desenvolveu trabalhos voltados ao circo-teatro de rua, além de atuar como produtor cultural e professor no ensino superior. Agora, retorna à capital amazonense com Manifesto, reafirmando sua conexão com o território e com as pautas que atravessam a região.
“Esse retorno é também um reencontro com tudo que me formou enquanto artista”, destaca.
Espetáculo transforma corpo em denúncia ambiental
No palco, o espetáculo “Manifesto” propõe uma experiência sensorial intensa. Com dramaturgia não linear, a obra constrói imagens que dialogam com o colapso ambiental e a relação entre corpo e território. Em cena, o corpo não representa: ele resiste, denuncia e se transforma.
O uso do trapézio amplia essa poética do risco. Suspenso, o artista oscila entre queda e permanência, criando metáforas visuais sobre instabilidade, urgência e sobrevivência.
Circulação amplia o impacto do retorno
Mais do que voltar, Klindson Cruz escolhe compartilhar. O projeto “Manifesto” segue em circulação por três municípios do Amazonas, levando o espetáculo para além da capital:
Iranduba- 30 de março |14h- CETI Maria Izabel Ferreira Xavier Desterro e Silva
Careiro Castanho- 31 de março | 14h- CETI Professora Maria Adelaide Marinho Hortência
Manacapuru- 01 de abril |14h- Escola Estadual José Seffair
A proposta reforça o compromisso com a democratização do acesso à cultura e fortalece o encontro entre arte e comunidade.
Formação e troca com o público local
Como parte do projeto, o artista também promove uma oficina gratuita de composição de cena em Manaus, nos dias 25 e 26 de março, das 14 às 17h, no CAUA – Centro de Artes da UFAM.
A atividade amplia o diálogo com novos artistas e fortalece a formação cultural na região.
Arte como reencontro e provocação
Contemplado pelo Edital Nº 003/2024 de Fomento às Artes Circenses, o “Manifesto” se consolida como um gesto artístico que une trajetória pessoal e urgência coletiva. O retorno de Klindson Cruz a Manaus não é apenas geográfico, é simbólico. É o corpo que volta para casa, mas não volta o mesmo.
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