Crise climática e caminhos sustentáveis na Amazônia pautam livro lançado nesta quinta em Manaus


A relação entre crescimento econômico e degradação ambiental, os impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas e os caminhos possíveis para um desenvolvimento sustentável na Amazônia são temas centrais do livro “Ecos do Antropoceno – Legados, interesses e caminhos”. A obra escrita pelo ambientalista Luiz Villares será lançada nesta quinta-feira, 26 de março, na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), localizada na Rua Álvaro Braga, nº 351, no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus (AM).

Lançado pela Editora Casa Matinas, o livro é resultado de mais de duas décadas de atuação de Villares na área socioambiental, reunindo experiências, dados e reflexões construídas ao longo de sua trajetória. Nesse período, o autor passou por instituições estratégicas para a agenda ambiental no Brasil. A venda do livro pode ser realizada de forma digital no link: https://www.casamatinas.com.br/lancamento/ecos-do-antropoceno e também está disponível pela plataforma Amazon.

O livro apresenta um panorama atualizado do bioma amazônico em conexão com o cenário global, incluindo os desdobramentos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada no ano passado em Belém (PA). Para o autor, a crise climática não pode ser analisada de forma isolada, mas sim como consequência direta do atual modelo de crescimento econômico global. Segundo ele, sem mudanças estruturais nesse modelo, a transição para um futuro sustentável não será possível.

“Este é o paradoxo contemporâneo: quanto mais cresce o PIB global, mais crescem os desastres ambientais e ecológicos — e, pior, em velocidade maior do que as soluções que poderiam mitigar os problemas”, afirma Villares.

Ele também destaca no texto que esse desequilíbrio ambiental contribui para o agravamento da desigualdade social, pois as populações mais vulneráveis são as que mais sofrem seus impactos. Ao mesmo tempo, o ambientalista defende a Amazônia como um ativo estratégico fundamental para o equilíbrio climático, a regulação hídrica e a preservação da biodiversidade. Como caminho viável, o autor aponta a bioeconomia e suas cadeias produtivas, como açaí, castanha e cacau, capazes de gerar renda sem comprometer a floresta.

Além disso, vê com otimismo ideias como sistemas agroflorestais (SAFs) e créditos de carbono, aliados à participação das populações tradicionais e a políticas públicas mais eficazes, que são essenciais para essa transição. “Manter a floresta em pé depende de cooperação internacional, vontade política, justiça social, pensamento científico e financiamento contínuo. É um caminho que exige muito, mas comprovadamente mais inteligente e valioso do que qualquer modelo baseado em sua destruição”, afirma.


Panorama global

A partir de dados qualificados, Villares indica que a prevenção de desastres ecológicos tende a ser mais eficiente do que as ações de reparação. Nesse sentido, ele aponta que a revisão de prioridades nos investimentos globais contribuiria significativamente para o avanço de soluções ligadas à transição energética e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A publicação também observa movimentos internacionais, como a reorientação de políticas ambientais na China, com iniciativas voltadas à ampliação do uso de energias renováveis e à recuperação de áreas degradadas, além de conceitos e discussões que ajudam a compreender a crise ambiental contemporânea.


Sustentabilidade Editorial

Ecos do Antropoceno é o primeiro livro lançado pela Casa Matinas, que se dedica à reedição de livros imperecíveis no sistema de impressão sob demanda (POD). A editora modificou seu projeto editorial pelas afinidades com as ideias defendidas no livro de Luiz Villares. Além de evitar desperdício de papel e de combustível fóssil na distribuição com o print-on-demand, a Casa Matinas usa o papel Polén Natural e a impressão em tinta à base de água. As capas minimalistas, o projeto gráfico limpo e a economia no uso de fontes tipográficas (criadas por artista tipográfico brasileiro) também foram pensadas para nos furtarmos aos desperdícios comuns na produção de livros.

Fonte: com informações da assessoria de imprensa